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Cultura Viva: As Bonecas Negras de Búzios

Força empreendedora feminina resgata a memória cultural e fomenta a economia local.

Força cultural dos quilombolas de Búzios

A ONG Bonecas Negras surgiu para empoderar a cultura local remanescente das comunidades quilombolas de Búzios e promover geração de renda. Poucos são os visitantes que passam pelo balneário e sabem da existência de um povo que chegou por volta de 1850, criou raízes e desenvolveu seu modo de vida e uma cultura rica no artesanato, agricultura e na pesca.

A História das Bonecas Negras

Em 2015 o encontro entre a guia turística Jaqueline dos Santos e a artesã Luciana Passos em uma reunião sobre economia solidária, foi o que faltava para a fundação da ONG. “Eu tinha uma dificuldade enorme em dizer aos visitantes que Búzios tinha uma história escravocrata. Muitas vezes passei como mentirosa, pois muitos dos meus clientes, que já frequentavam Búzios há anos, não sabiam que tinha quilombo aqui, pois não tinha nada que representasse essa história de Búzios, essas pessoas, esse povo.” Relembra Jaqueline. 

Luciana começou a ensinar um grupo de mulheres a fazerem bonecas de pano, e logo percebeu que o trabalho das Bonecas Negras iria muito além do resgate da memória cultural e histórica da população local. 

Léa Pereira pescadora e colaboradora da ONG
Luciana Passos  co-fundadora e atual presidente da ONG

Essas mulheres são batalhadoras pela própria condição, seja na agricultura, na pesca, e sem se darem conta, são artesãs natas. Léa Pereira é pescadora e  artesã de patchwork formada pelo CRAES (Centro de Referência da Assistência Social), mas trabalhava limpando casas particulares e pousadas. As colchas de fuxico que fazia, guardava em uma caixa embaixo da cama. Não sabia para quem vender. A ONG trouxe a possibilidade de escoar a sua produção e também de ser reconhecida como pescadora. A artesã vem de uma família de pescadores há pelo menos 4 gerações. Aprendeu o ofício da pesca e da cestaria. 

Pescadoras profissionais

Assim como tantas outras mulheres que exerciam a função de marisqueiras e não tinham o reconhecimento da profissão. Apesar de muito preconceito dos seus parceiros pescadores, a ONG conseguiu enquadrar essas mulheres como profissionais da pesca, que a partir deste ano gozarão de todos os benefícios reconhecidos pelo Ministério da Pesca, inclusive o direito ao voto na Colônia dos pescadores de Búzios. 

Hoje a ONG é auto sustentável, conta com 20 profissionais que se revezam nas 11 máquinas industriais de última geração e produzem além das bonecas, máscaras, cestaria, almofadas, cangas e fazem também consertos de roupas em geral.

Os planos para o futuro só crescem com o passar dos anos. Luciana planeja integrar ao projeto jovens adolescentes que estão em casa e ensinar o ofício da costura, sonha em expandir a clientela e promover a sustentabilidade na reciclagem de roupas de cama e toalhas. “O nosso  desejo  é que a hotelaria local conheça o que podemos produzir.  

Em qualquer foto de hotel ou pousada você vê uma almofada, uma cesta para  toalhas, uma roupa de cama personalizada, abajur e lustres de Juquiá, porque não consumir de quem produz localmente?”  Sentencia e complementa Luciana: “Se no seu  hotel vocês  estão com os travesseiros que não conseguem usar mais, nós transformamos em almofadas, as colchas manchadas podemos bordar e reciclar a roupa de cama.” 

As bonecas negras e os outros produtos produzidos pela ONG podem ser compradas diretamente pelo Instagram da ONG ou nos seguintes pontos de venda:

Em Búzios:

No Rio:

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